Jato executivo sobrevoando a fronteira Paraguai-Brasil ao pôr do sol
Briefing EstratégicoMercado

Aviação Executiva como Ferramenta de Internacionalização: O Caso Paraguai-Brasil

Como a mobilidade aérea executiva está transformando a equação de internacionalização entre os dois países — e por que quem não entendeu isso ainda está perdendo dinheiro.

Rodrigo NogueiraJúlio N. Nogueira

Rodrigo Nogueira & Júlio N. Nogueira

COO & Editor-Chefe · CEO & Estrategista

8 min de leitura
22 Fev 2026

Semana passada, um empresário de São Paulo me ligou às 22h. Voz tensa. "Rodrigo, preciso estar em Assunção amanhã às 9h. Tem como?"

Tinha.

Às 6h30, ele decolou de Guarulhos num Phenom 300. Às 8h45, estava sentado na mesa de negociação. Às 14h, tinha assinado um contrato de Maquila que vai reduzir a carga tributária da operação dele em mais de 60%.

Voltou no mesmo dia. Dormiu em casa.

Sabe o que percebi nesse episódio? Que a aviação executiva não é luxo. É infraestrutura de decisão. E quem ainda não entendeu isso está perdendo dinheiro — literalmente — enquanto lê este texto.

🎯 Dados

O número que ninguém está olhando

3.878.836

Esse é o número de voos de jatos privados realizados no mundo em 2025, segundo a WingX. Recorde absoluto. 4,6% acima de 2024. 34% acima dos níveis pré-pandemia.

Mas o dado que me interessa de verdade é outro.

A América Latina cresceu 11% em um único ano. Onze por cento. Enquanto a Europa patina com 1% e os EUA dominam com quase 68% das decolagens globais, a nossa região está acelerando num ritmo que ninguém previa.

E o Brasil? O Brasil é o epicentro desse movimento.

Maior frota de jatos executivos do mundo

1.140

Jatos de negócios registrados no Brasil

+17%

Crescimento de jatos em 2025 (ABAG/ANAC)

11.239

Aeronaves de negócios no Brasil (nov/2025)

Não é passeio. É posicionamento.

📌 Análise

O paradoxo da mobilidade

Aconteceu uma coisa interessante nos últimos cinco anos. A pandemia, que deveria ter matado a aviação executiva, fez exatamente o oposto. Criou um novo perfil de usuário: o empresário que descobriu que tempo é o único ativo não renovável.

A população de ultrarricos no mundo saltou de 300 mil para mais de 520 mil pessoas, segundo a WealthX. Os lucros corporativos subiram 94%. E o charter — o fretamento avulso — explodiu: 45,2% acima de 2019.

Confesso que, quando olho esses números, penso no empresário brasileiro médio. Aquele que ainda acha que aviação executiva é coisa de bilionário.

Não é.

94% dos usuários de jatos privados citam economia de tempo como razão principal. Não é champagne a bordo. É chegar em Assunção às 9h, fechar negócio e voltar no mesmo dia. É visitar três cidades em 24 horas sem perder uma noite de sono.

Nos EUA, aeronaves privadas operam em mais de 5.000 aeroportos. As companhias regulares atendem menos de 500. Essa é a diferença entre ter acesso e ficar esperando.

✈️ Oportunidade

Paraguai: o ponto cego do mapa

E aqui é onde a história fica realmente interessante.

O Paraguai tem 50 aeroportos certificados pela ICAO/IATA. Mais de 432 pistas de pouso particulares homologadas pela DINAC. E uma posição geográfica que, confesso, levei anos para entender o valor real.

Tempo de voo executivo a partir de Assunção

São Paulo (GRU/CGH)1h40
Buenos Aires (AEP)2h00
Santiago (SCL)3h00
Miami (MIA)7h30

Assunção é o centro geográfico da América do Sul — e quase ninguém está usando isso como vantagem competitiva. Até agora.

A GOL acaba de anunciar voos diretos Assunção-Miami para 2026. Brasília-Assunção também está no radar. A Flybondi avança para se tornar a companhia de bandeira paraguaia. O aeroporto Silvio Pettirossi está passando por uma transformação regulatória que vai mudar o jogo.

Mas sabe quem já está lá? Quem já entendeu?

O empresário que usa jato executivo como ferramenta de internacionalização. Não como símbolo de status.

💡 Estratégia

Maquila + Mobilidade: a equação que ninguém montou

Vou ser direto.

O regime de Maquila paraguaio — Lei nº 1.064/97 — é, talvez, o instrumento de internacionalização mais subestimado da América do Sul. Permite que uma empresa estrangeira se instale no Paraguai para produzir e exportar, com importação de insumos sem impostos e tributação de apenas 1% sobre o valor agregado.

Um por cento.

Enquanto no Brasil você navega uma carga tributária que sufoca, do outro lado da fronteira existe um regime que foi ampliado em fevereiro de 2026 para incluir serviços de valor agregado. Não é só indústria. É tecnologia, consultoria, serviços especializados.

Agora conecta os pontos comigo:

👉

Empresa brasileira precisa reduzir custos e ganhar competitividade global.

👉

Regime Maquila oferece tributação de 1% e importação sem impostos.

👉

Assunção está a menos de 2 horas de jato executivo de São Paulo.

👉

O empresário pode ir e voltar no mesmo dia, sem perder o controle da operação no Brasil.

Mobilidade executiva + regime tributário favorável + proximidade geográfica = internacionalização real, não teórica.

E a aviação executiva é o que torna tudo isso possível em velocidade de negócio.

⚠️ Urgência

O que está em jogo

Vou compartilhar algo que me incomoda.

O Brasil tem a segunda maior frota de jatos executivos do mundo. Tem empresários com visão global. Tem capital. Tem talento. Mas continua operando como se internacionalização fosse um projeto de cinco anos com consultoria de Big Four e dezenas de reuniões em videoconferência.

Não é mais assim.

O mundo mudou. A jetAVIVA — uma das maiores corretoras de jatos dos EUA — definiu o Brasil como prioridade estratégica para 2026. Sabe por quê? Porque percebeu que o empresário brasileiro está pronto para dar o próximo passo. Só falta a infraestrutura certa de decisão.

E infraestrutura de decisão é isso: a capacidade de estar onde precisa estar, quando precisa estar, com a velocidade que o negócio exige.

Quem tem um Phenom 300 na pista não espera conexão em Guarulhos. Quem freta um turboélice para Assunção não perde três dias numa viagem que poderia durar seis horas. Quem entende que mobilidade é vantagem competitiva não fica discutindo se aviação executiva é "custo" ou "investimento".

É alavanca.

🚀 Visão

O futuro já decolou

A LABACE — maior feira de aviação executiva da América Latina — encerrou 2025 com vendas em alta. Os fabricantes têm carteiras de pedidos em patamares recordes. A espera por um Gulfstream ou Bombardier novo varia de 18 a 30 meses.

O mercado não está esperando ninguém.

E o corredor Paraguai-Brasil está se consolidando como uma das rotas estratégicas mais relevantes do continente. Não por acaso. Por lógica. Por geografia. Por oportunidade tributária. Por timing.

Sabe o que aprendi acompanhando esse mercado de perto?

Que os empresários que vão liderar a próxima década na América Latina não são os que têm mais capital. São os que têm mais mobilidade. Os que conseguem estar em Assunção de manhã, São Paulo à tarde e Miami na quinta-feira. Os que transformaram a cabine de um jato em sala de reunião e a pista de pouso em vantagem competitiva.

A aviação executiva não é o destino.

É o caminho.

E quem já entendeu isso está voando — em todos os sentidos.

Rodrigo Nogueira

Rodrigo Nogueira

COO & Editor-Chefe

Estratégia sob pressão. Visão que conecta pessoas, mercados e oportunidades em um único movimento.

Júlio N. Nogueira

Júlio N. Nogueira

CEO & Estrategista

Arquitetura jurídica e internacional. Estruturação de jurisdições e planejamento estratégico com precisão.

Fontes

WingX Global Flight Data 2025 · Forbes Brasil · ABAG/ANAC · WealthX · ARGUS TRAQPak · AERO Magazine · Flapper Aviation · DINAC Paraguay · Lei nº 1.064/97 (Regime de Maquila)

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