No dia 20 de junho de 2012, em plena Conferência Rio+20, um delegado da Polícia Federal chegou ao aeroporto de Congonhas com uma ordem judicial. O alvo não era traficante nem contrabandista. Era um Bombardier CL-600 avaliado em R$ 52 milhões, registrado em nome de uma empresa americana e utilizado por um empresário paulista. A aeronave estava prestes a decolar para o Rio de Janeiro. O delegado mandou que agentes a interceptassem no solo. "Não interessa, tenho ordem judicial", respondeu ao controlador de tráfego que tentou impedi-lo. O avião foi apreendido no Galeão.
Aquele foi apenas o primeiro ato da Operação Pouso Forçado — a maior ação conjunta da Receita Federal e da Polícia Federal contra a aviação executiva no Brasil. Em poucas horas, 50 policiais federais e 25 auditores fiscais se espalharam por cinco aeroportos — Congonhas, Guarulhos, Viracopos, Galeão e Jundiaí — e apreenderam nove jatinhos de luxo. Ao todo, 22 aeronaves entraram na mira das autoridades, com valor estimado em R$ 560 milhões e sonegação calculada em R$ 192 milhões.
O caso revelou um esquema sofisticado que envolvia empresas de fachada em Delaware, trusts bancários nos Estados Unidos, e o uso sistemático do regime de admissão temporária para manter aeronaves estrangeiras operando permanentemente em solo brasileiro — sem pagar um centavo de imposto de importação. Mais de uma década depois, a Operação Pouso Forçado permanece como o estudo de caso definitivo sobre o que acontece quando uma estrutura de planejamento tributário cruza a fronteira da simulação. E em 2026, com o Projeto Analytics da Receita Federal operando a plena capacidade, a pergunta que se impõe é: quanto tempo esse esquema sobreviveria hoje?


